sexta-feira, 27 de junho de 2014

Vamos fugir... deste lugar baby! Vamos fuuugiiir!

“_ Eu vou viajar.
_ Pra onde?
_ Pelo mundo... conhecer culturas, comidas, idiomas...
_ Mas pra quê? Do que você está fugindo?”

Essa foi uma das primeiras conversas que eu tive quando resolvi contar que iria viajar. E não é tão incomum, nas minhas pesquisas li relatos de outros viajantes que também passaram por isso. Por quê viajar tem que ser necessariamente uma fuga?



É claro que todos nós temos problemas, de todos os tipos, e no fundo todo mundo em algum momento já pensou em largar tudo e sair correndo. Mas não é o meu caso e o de muitos outros viajantes com quem conversei. Tenho me programado para esse momento a vida toda, e agora mais do que nunca, com roteiros prontos, documentação sendo feita, me informando sobre os lugares que quero conhecer. Nunca estive tão preparada para viajar pra qualquer lugar como agora.

Falo por mim quando digo que não estou fugindo, pelo contrário, estou buscando. Das outras vezes que parti, em alguns momentos eu mesma pensei que estava fugindo de uma situação ou de alguma coisa, mas me dei conta de que estive procurando todo esse tempo. Procurando meu lugar no mundo, procurando um significado, procurando algo que só vou saber o que é provavelmente quando encontrar.

Se você é o tipo de pessoa que sabe o que quer, tem todas as respostas e não precisa sair pelo mundo pra se sentir vivo, parabéns! Eu te admiro! Mas somos completamente diferentes.

Eu sou um ser curioso, intrigado pela vida. Quero conhecer o que tem lá fora, o que está embaixo da cama, e não só me cobrir com o cobertor e olhar pro mundo como se ele fosse um grande monstro pronto pra me devorar! Eu quero absorver o mundo.


Não é vontade de fugir, é o desejo de me encontrar!




Vou indicar esse blog que me tirou muitas dúvidas e me encantou com várias histórias... e nesse post eles falam exatamente sobre essa relação entre viajar e fugir.










Belo Horizonte... meu primeiro passo para a vida nômade!

Sempre tive essa inquietação a respeito da cidade onde eu moro, das escolas que estudei, dos bairros que morei. Sempre me senti deslocada e fora de lugar. Durante toda a minha adolescência eu tive aquela ilusão que a maioria dos jovens de cidade do interior possui: aquela vontade de morar na capital!
Sonhei muito com essa idéia, e a partir dos meus 16 anos eu ia sempre pra São Paulo visitar parentes e ficava cada vez mais deslumbrada. Eu não sei dizer ao certo quando foi que esse deslumbramento acabou, se foi alguma coisa que aconteceu ou se eu simplesmente amadureci. Talvez porque eu tenha descoberto, observando minha família que sempre morou lá, que era divertido ser visita em São Paulo, e não morador. Que a vida lá é muito mais corrida e cara do que na minha cidade. Ou talvez eu tenha me acomodado ou me conformado com a minha rotina.
O fato é: eu sempre quis sair, conhecer o mundo. E quando finalmente tomei coragem e larguei tudo pela primeira vez, aos 19 anos, não foi pra São Paulo que eu decidi mudar, foi pra Belo Horizonte. E essa é a história que eu quero contar hoje.




Porque BH?

Eu fui pela primeira vez para BH em 2006, visitar uns amigos virtuais. Sim, essas loucuras que os jovens fazem sem medo, eu era dessas. Mas o plano era passar uma semana. Fiquei duas.
Eu participava de uma comunidade muito divertida no falecido Orkut. E nós éramos um de cada estado praticamente. Paralelamente, naquele ano eu conheci o trabalho e a música de uma das maiores artistas do país, a Ana Carolina. E também comecei a participar de uma comunidade de fã clube dela.

Nessas duas comunidades tinham pessoas de BH que eu gostaria de conhecer, e Belo Horizonte me parecia fascinante. Marquei com eles, e fui. Simples assim.

A passagem na época era em torno de R$ 90,00 e eu não gastei com hospedagem, porque fiquei na casa do pessoal que eu conhecia. Hoje sei que foi loucura total, e não estou querendo influenciar ninguém a ir pra outro estado na casa de desconhecidos! Eu tive muita sorte!

Essa viagem aconteceu há 8 anos, então não lembro de detalhes, mas no geral vou contar os lugares que eu conheci e as impressões que tive.
Antes de qualquer coisa, preciso ressaltar a hospitalidade do povo mineiro! Nunca fui tão bem recebida em nenhum outro lugar como fui recebida lá! Minha querida amiga Fabiana me recebeu em sua casa, me levou pra passear e comer queijo no mercado municipal e teve muita paciência comigo enquanto estive visitando a cidade. Super parceira.

Me apaixonei tanto pela cidade que duas semanas depois de ter voltado pra minha, fiz as malas e me MUDEI pra BH. Assim, de repente. Tranquei a faculdade e fui. Voltei no final de 2007, e apesar dos perrengues, das decepções, das dificuldades, valeu a pena cada minuto. Belo Horizonte me transformou, eu amadureci muito e aprendi muito também.

Táxi

Não sei hoje, mas naquela época andar de táxi em BH era muito barato! Uma corrida da rodoviária até a Rua da Bahia onde ela morava ficava em R$ 5,00. Andei muito de táxi lá por conta disso.

Savassi

É um bairro na região Central da cidade, onde tudo acontece. (Lembrando que esse relato foi da minha experiência em 2006 e 2007) As boates ficavam quase todas na Savassi ou próximo dela. Os bares e os fast-food. Não esqueço até hoje o melhor cachorro-quente que eu comi, ficava bem no meio do bairro, quase em frente ao Mc Donald’s, uma barraquinha dessas de rua, um senhor simpático que vendia o cachorro-quente mais o refrigerante por R$ 2,50! E tinha queeeijo! Aliás, tudo o que eu comia lá tinha queijo. Porção de batata, porção de frango, porção de qualquer coisa, tudo! E eu sou apaixonada por queijo. Foi uma das coisas que me conquistaram na cidade.

Praças!




Quando eu conheci a Praça da Liberdade fiquei deslumbrada! Além de enorme, é linda! Bem cuidada... e foi cenário de várias histórias que vivi lá. O coreto é um dos meus lugares mais queridos na cidade! Mas meu lugar favorito na cidade inteira é a Praça do Papa. Eu simplesmente fiquei chocada e apaixonada ao mesmo tempo quando fui pela primeira/segunda/terceira/ todas as vezes. A vista da cidade, o gramado, até o ar parecia diferente lá. Muitas tardes de reflexão gastei lá e é minha maior saudade de BH, com certeza.


Lagoa da Pampulha

Dispensa comentários. Em todo o tempo que fiquei lá, fui apenas uma vez. Passei uma tarde com duas amigas, onde escrevemos em diários e determinamos metas pro nosso ano... rimos muito aquele dia. Brigamos muito também. Acabamos lá sem querer, mas valeu cada minuto do nosso dia.



Feira Hippie

Todo domingo rola uma feira muito sensacional na Avenida Afonso Pena. Tem de tudo: comidas, artesanatos, bijuterias, sapatos, roupas, brinquedos, artigos para casa e decoração, etc. Os itens não são muito baratos, mas se você procurar, pode achar coisas bem legais com um preço ótimo!


Tenho muitas histórias do ano que vivi em BH, tantas lembranças queridas! Essa cidade respira arte! A vida cultural é intensa e foi isso que mais amei. Aprendi a tocar violão e até cheguei a tocar e cantar num barzinho. Fui num dos melhores shows da minha vida, da Ana Carolina e só esse show rendeu tantas histórias! Como o dia que eu e minhas amigas perseguimos a Ana C. pela cidade depois do show e acabamos na mesa dela numa pizzaria!
Belo Horizonte foi minha perdição. Me fez perceber que eu sou capaz de mudar e começar do zero em qualquer lugar e que nem todas as pessoas querem nosso bem. Não podemos confiar cegamente em todo mundo, como eu confiava. E principalmente, eu aprendi a NUNCA confiar quando um mineiro diz: é logo ali. NUNCA é logo ali. Eu andei aquela cidade toda a pé milhares de vezes caindo nessa.




quinta-feira, 26 de junho de 2014

It's time to travel!

Se você me encontrou nesse blog, provavelmente é porque também quer viajar ou mudar de vida!
Eu tomei uma decisão muito séria que vai mudar tudo o que eu conheço sobre mim e sobre o mundo. Decidi abrir mão de tudo o que eu tenho para conquistar tudo o que eu quero ter! Todas as minhas experiências até hoje, todas as histórias que vivi, tristes ou alegres, serviram para eu chegar à essa conclusão maravilhosa de que tudo o que eu preciso e quero é viajar. 

Não quero apenas ser uma turista com uma câmera na mão em frente aos cartões postais do mundo! Não! Eu quero aprender. Simples assim. Quem me conhece sabe que a minha grande paixão é aprender. Qualquer coisa diferente me fascina e me deixa extremamente inquieta até que eu conheça o máximo que eu puder sobre ela.

Nesse primeiro momento, vou falar sobre mim e tentar explicar porque tomei essa decisão e tudo que estou fazendo para realizar esse plano de vida.
Eu sempre me senti deslocada. Eu fui uma criança muito solitária, mas tive uma infância muito rica, cheia de imaginação, fantasia e criatividade. Eu tinha castelos, príncipes e princesas, eu enfrentei dragões, atravessei mares e nas horas vagas eu sofria pra resgatar a Minnie no jogo maldito do Mickey no Master System III.
Na adolescência, minhas particularidades ficaram muito evidentes. Minhas amigas queriam beijar meninos e falavam sobre roupas, maquiagens e romances. Eu, no entanto, gostava de bater nos meninos, jogar futebol com eles e ler todos os livros que existiam na biblioteca da escola. Ainda assim, elas me aceitavam e tentavam me incluir. O pouco que eu sabia sobre ser menina naquela época, eu devo à elas. 
Logo veio a fase das festas, baladas, bebedeiras e jogos de RPG! Eu saia, bebia com minhas amigas, namorava os gatinhos que surgiam, mas secretamente eu jogava MMORPG com meus primeiros amigos Nerds. Eu era uma viciada louca, que PAGAVA para jogar. Sim.
E assim fui equilibrando minha vida, entre amigos baladeiros, amigos nerds e amigos do teatro (que eram apaixonados por livros, filmes e, lógico, teatro). Como se já não bastasse a discrepância de tribos, eu fiz 4 anos de curso de teatro. Onde conheci pessoas maravilhosas! Loucas, apaixonantes, divertidas! Com as quais eu aprendi sobre cinema, roteiro, interpretação e improviso. E tudo isso eu apliquei na minha vida. 

Outra particularidade sobre mim é que eu sempre estava apaixonada. Perdidamente. E geralmente sofrendo por um amor não correspondido. Excesso de Shakespeare ou de comédias românticas.

Eu frequentava todos os tipos de grupos , o pessoal das artes, dos livros, dos jogos, das baladas... mas nada daquilo me completava. Nenhum daqueles era o meu lugar.
A única coisa que era comum à todas as fases da minha vida e em qualquer ambiente no qual eu estava inserida era que eu amo aprender! 
Aprender sobre a vida, sobre as pessoas, sobre histórias. Fiz Publicidade e Propaganda e agora estudo Psicologia. Nessa brincadeira eu aprendi espanhol, depois inglês, agora estou aprendendo francês e alemão. Simplesmente porque eu quero. 

E recentemente, num momento em que me vi completamente perdida no caos, sem saber pra onde ir, e sentindo esse vazio gritando dentro de mim por um alívio, eu tive uma epifania!



Eu não tenho filhos, não sou casada, minha carreira ainda não deslanchou, visto que demorei pra descobrir o que eu queria fazer da vida... nada me prende. E o mundo é infinito! Tudo o que eu preciso é partir. Porque a verdade é que eu não pertenço a nenhum lugar e a todos ao mesmo tempo.

Decisão tomada, ficou tudo muito claro. Voltei a ter noites inteiras de sono, recheadas de sonhos vívidos sobre a grande aventura na qual eu iria embarcar. Mas... pra onde? 

Comecei a pesquisar. E nas próximas postagens, vou contar cada passo sobre o mundo que eu vou desbravar.